Retornos à parte

Somos obcecados com resultados e pouco com processos e métodos. Somos obcecados com o fim da linha e não com a linha em si. Somos obcecados pelos finais dos filmes e esquecemo-nos facilmente das passagens intermédias que dão conteúdo em si.

Somos obcecados com resultados e pouco com processos e métodos. Somos obcecados com o fim da linha e não com a linha em si. Somos obcecados pelos finais dos filmes e esquecemo-nos facilmente das passagens intermédias que dão conteúdo em si.

Somos obcecados pelos resultados, nossos e dos outros, sem nos preocupar-mos com os porquês. Aliás, deixámos de usar esta última palavra há uns bons anos, provavelmente desde os 7, 8 anos.

Faço-vos uma questão: Quantas vezes por dia, perguntam “porquê?”. A sério, façam este exercício. Provavelmente vão-se espantar e perceber que há muito tempo que não se questionam a si ou aos outros. E provavelmente terão até a vaga ideia de que na última vez que perguntaram porquê, ainda vos responderam num tom meio ofensivo – “Mas como porquê?”; “Que raio de pergunta é essa?”; “Mas que queres tu saber?”.
As pessoas não gostam de parar, “-Porquê?”, obriga-os  a parar para pensar, a “deixa lá ver se agora descalço a bota”. As pessoas gostam é de perguntas como “Onde?”, “Como?”, “quando?”. Essas é que são as perguntas do futuro. As perguntas que nos permitem avançar. Agora porquê? Porquê não, porquê pode significar voltar atrás, parar, mudar tudo, e para as empresas tudo o que é voltar atrás ou ficar parado é tempo perdido.

Volto agora ao primeiro parágrafo para explicar porque estou com esta história dos porquês. É que esta nossa obsessão com os resultados finais e não com o processo, é um impeditivo absoluto dos porquês e, quanto a mim, são estes porquês que no final podem salvar o retorno do investimento.

O que acontece é que as empresas andam a saltar os porquês, porque dá trabalho. A leitura tem sido esta: Para se ter retorno a acção tem de acontecer e depois tem de terminar e quanto mais rápido isto acontecer, melhor. Ponto final.

Mas depois, chega o momento da verdade e o retorno do investimento não foi alcançado. Caraças, mas “porquê?”. E agora sim, vem o porquê que devia ter sido feito desde o inicio. Parece pois que preferimos respostas tardias a respostas atempadas.

A saber: o retorno do investimento não tem de ser, necessariamente, uma preocupação. As preocupações e os porquês devem estar no primeiro passo da acção. Quando alguém vos vier com uma ideia, perguntem primeiro: Porquê? Antes do como, antes do quando, antes do onde.

Provavelmente isto tem a ver com uma questão social e psicológica. A partir dos 8 anos, ninguém quer ouvir os porquês das crianças. O terror de responder a simples questões tem de acabar. E nós, bem obedientes, deixámos de nos questionar e de questionar os outros, esquecendo-nos que esta é uma ferramenta tão simples e tão fundamental para qualquer acção, especialmente estratégica.

Deixo o conselho, especialmente no que respeita ao retorno em redes sociais: não se preocupem com o vou ter retorno ou não, preocupem-se antes em criar um triângulo perfeito entre -, a criatividade, a mensagem, e a estratégia. E em cada um dos ângulos, abram espaço para os “porquês” pequeninos, os porquês simples e básicos como: “Esta ideia porquê?”; “Investir aqui porquê?”; “Porque não a outra ideia?”; “Esta mensagem porquê?” e tantos outros porquês que fazem sentido. Fazer perguntas abstractas como “vou ter retorno como?, quando?, vou ter retorno porquê?” são demasiado abrangentes. Preocupem-se com os passos (os pequenos passos) e o porquê dos passos. Porque serão eles que irão afinar os caminhos certos. E serão esses que vos darão a estrada necessária para que no final, tudo termine como era suposto.

Dica: Quanto à técnica dos porquês, experimentem numa fase inicial usar a técnica dos 5 porquês que o sistema de produção da Toyota criou em 1970. Basicamente é perguntar constantemente “porquê” até se chegar à raiz da questão. Por norma vão verificar que a resposta ao primeiro porquê, leva-vos a um segundo porquê e assim sucessivamente. Por norma são necessário 5 vezes porquê até se chegar ao pretendido!

(imagem gráfica retirada de: thethinkingcanvas.com)
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