Qual mão preferes?

o poder do conhecimento não é tudo.

Hoje, mais do que em qualquer outra altura, estamos na era do conhecimento.
As redes sociais, e tudo o que veio com elas, deram aos marketeers e afins a possibilidade de definirem estratégias baseadas em comportamentos, opiniões, acções, etc. Com esta informação podemos agora controlar melhor as estratégias, perceber como devemos comunicar, com quem devemos comunicar.

Não bastando, todo este conhecimento é praticamente gratuito. Basta dominar algumas ferramentas, ter atenção ao pormenor e perder um pouco do tempo a analisar dados.
A juntar, ainda podemos aplicar primeiro a estratégia online. Se funcionar, passa-se depois para offline, esta já com custos maiores.

Aparentemente estamos por isso com a vida facilitada. Temos conhecimento. Podemos controlar mais. Medir mais. Não pagamos. Vamos mais ao encontro. Correspondemos às expetativas. E ainda podemos testar a estratégia sem pagar.

Mas o facto é que ter todo este poder nas mãos pode ser traiçoeiro. Em primeiro porque há que saber tratar a informação. Podemos saber de cor os cliques, podemos ter gráficos sem fim, dados ricos e cheios de informação e um grande volume de acções, mas se não a soubermos organizar, cruzar, utilizar, dividir, segmentar e interpretá-la é melhor termos as mãos vazias.

Por outro lado, podemos conseguir ter até a informação tratada, cruzada, cheia de diretrizes e preparada para nos munir de certezas. Aí saberemos qual será a resposta, o feedback, a atenção, o interesse, o desejo, a acção. E podemos calmamente por de lado as estratégias raspadinhas, e lançar a estratégia que os dados nos dizem, porque os objetivos serão alcançados.

Mas pergunto: Se respondermos sempre ao consumidor, como o podemos surpreender? Se lhe prestarmos 100% da nossa atenção, como pudemos superar as expectativas? Em que lado ficará o inesperado?
O poder do conhecimento não é, não pode ser tudo. É importante, é uma base, é uma mão cheia. Mas a outra mão convém estar cheia de outra coisa. Cheia de irreverência, de inesperado, de surpresa, de incomum.

Porque tenho a certeza absoluta de que na primeira vez em que perguntar ao consumidor qual mão prefere, ele vai ficar contente com a que lhe sair, seja uma ou outra. Afinal ele desconhecia o que estava dentro de cada uma.

Mas da próxima vez que quiser jogar com ele, e lhe perguntar qual mão escolhe, é bom que lhe saia a da surpresa. Porque mais do mesmo vai cansá-lo. E ser certinho não é mau, mas ter carisma, ser surpreendente e ter atitude é melhor.

E na verdade, é tão simples quanto isto:
o consumidor pode apertar-lhe a mão do conhecimento, pois identificou-se.
Mas dar-lhe-á um abraço se o conseguir surpreender.

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