os números falam pelas pessoas

bequiet

Esta é uma das poucas vezes em que esta frase “os números falam pelas pessoas” faz sentido:

  • “Cerca de 21% dos portugueses online (aproximadamente 1 em cada 5) usam o Adblocking.”
  • “80% dos utilizadores da internet nunca clicam em anúncios online.”
  • “71% dos utilizadores acham os anúncios personalizados, intrusivos e aborrecidos.”

E são números assustadores mas que não espantam.

Vejo pelos meus amigos, a maioria (senão todos) fazem parte desta estatística. E quantas vezes não me  questionaram já, incrédulos: mas porque é que não instalas o Adblocking? Inclusive já – sem eu dar conta- o instalaram no meu pc sem eu querer, pois das poucas vezes que o usam fartam-se de passar de site em site e levar com publicidade pobre de marcas ricas.
Estes números são um reminder sobre a época em que vivemos: estamos num momento em que há uma filtragem quase total à publicidade, especialmente online que cresceu de forma pouco responsável e nada sã, e se tornou uma aberração para a maior parte dos utilizadores.

Mas estávamos bem se isto fosse só online. Não tenho dados estatísticos aqui à mão sobre o assunto, mas não tenho dúvidas que isto se estende muito além da internet.
A maior parte das pessoas não são como nós, que passeiam a ver mupis e outdoors, e que olham para os anúncios das revistas e jornais do ínicio ao fim. A maior parte de nós não vê utilidade. A maior parte não quer saber, não liga, não vê. Porquê? Porque está cansada. Porquê? Porque abusámos e disparámos em todos os lados e dos tiros que demos, a maioria foram ao lado.

Se a culpa é das pessoas, que não querem estar informadas? Não acredito. Todos sabemos a dependência que o ser humano tem de consumir. Seja produto, seja informação. Então de quem é a culpa? A culpa é de quem – desde há muito muito tempo –  está à frente da maioria das marcas e à exceção de poucos –  continuam a seguir a lógica da bela frase: “Metade do dinheiro que gasto com publicidade é desperdiçado. O problema é que não sei qual metade é!”
E enquanto não sabem – nem querem saber – vão entupindo canais de comunicação, e vão entupindo a nossa memória com lixo, e vão rezando para que – com alguma sorte e muito muito dinheiro investido – a campanha até tenha algum retorno porque…na verdade, “a pessoa mais tempo menos tempo, vai ter de consumir, não é?”

A quem está na área, e especialmente a quem está a começar, desejo verdadeiramente que não nos deixemos cair da tentação de fazer anúncios para ninguém.
E o principio a seguirmos é só um e tão bem o conhecemos (e tão facilmente o esquecemos): “Se não tens nada de verdadeiramente útil para dizer, cala-te.” 

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